O Tempo II

Tinhas os olhos vítreos e o suor escorria-te pela testa. As pernas estavam secas, do medo. Olhavas-me, como se sofresses. Tinham passado três anos desde que te decidiras a fazer a tua viagem. Para mim, tinha passado um século; e isso tu parecias não compreender. As noites em claro, as lágrimas sufocadas pela almofada, olhar o tecto escuro durante horas à procura de uma explicação para o fim do nosso amor. Regressaste num dia solarengo, com um monte de fotografias, muitas histórias para contar e um sorriso nos lábios. Esperavas o meu abraço, mas ele não veio. Esperavas uma festa, música e flores pela casa, talvez até a minha disponibilidade. Suponho que sempre imaginaste que eu não tinha vida para além de ti ou que eu te iria amar para sempre, mesmo que tu nunca me amasses.Mas nunca é demasiado tempo, mesmo para quem ama, sobretudo para quem fica.
Sempre foste um porco egoísta.